Mark tinha voltado tarde do colégio e havia uma briga muito séria entre ele e sua mãe:
- Ei garoto, quem pensa que é pra chegar tarde assim?
- Filho de uma vadia que eu sou obrigado a chamar de mãe.
*Mãe arremessa um prato de vidro em Mark
- Isso é pra você aprender a não desrespeitar sua mãe, moleque! E é melhor ir pro seu quarto e
estudar pelo resto do mês, pois não irá mais "mexer" no computador ou ao menos jogar futebol, como de costume!
- É oque pensas, vaca gorda.
Saiu de casa correndo, batendo a porta com violência. Não tinha lugar pra ir, nem ficar pra dormir... Só lhe restava uma coisa: a tal casa "abandonada"
Enfim, Mark estava convicto de que aquela dúvida que reinava em sua mente tinha de acabar, essa maldita dúvida que corrói o seu pensamento...
Qual era o nome, de onde vinha e o que era aquela garota?
Saiu de casa rapidamente, com coragem de sobra... Mark pensava que estava enfrentando o conhecido, e que não havia motivos pra ter medo ou receio. Enganado, jovem tolo. Em sua mente se passavam todos os acontecidos desses ultimos meses, que foram mais emocionantes do que qualquer outro tempo de tua vida. E era apenas o começo.
Chegou perto da casa. Olhou por alguns minutos a janela onde geralmente a garota ficava. Esperou por mais minutos... Só lhe restava mesmo é entrar na casa, sem mais nem menos. Abriu a cerca enferrujada, lentamente... o que causou um rangido seco, agudo. Andou lentamente pela parte da frente da casa, subindo as escadas da varanda feita de madeira velha.
Subiu e ficou frente-a-frente a porta da casa: Escura, rústica, antiga e enfestada de pequenas farpas. A maçaneta era quadriculada, velha... tão velha que quando Mark se preparou pra abrir, a maçaneta caiu no chão, excluindo qualquer modo de abrir a porta... regularmente.
Observou os arredores da porta e tentava achar qualquer jeito de abrir a porta... até que no desespero, foi arrombando a porta aos chutes, o que fez muito barulho até enfim fazer a porta cair no chão. A queda provocou uma onda de ar que fez com que muita poeira saisse da casa, criando um tipo de névoa.
Mark observava o interior da casa: não havia muitos móveis, os cômodos eram bastante espaçosos e tudo era muito, muito escuro. O vento cantava versos melancólicos que soavam muito alto dentro da casa, provocando eco. Toda arquitetura interna da casa era altamente detalhada e matematicamente feita.
Na mente dele, nada. Ele estava praticamente boquiaberto com tudo aquilo e como a casa era grande e extremamente assustadora. Seu objetivo agora era achar a garota. Adentrou cautelosamente a sala da casa, logo tomando uma leve brisa em seu rosto, fazendo o ter arrepios.
Ao longe avistou o que parecia ser a garota, cabisbaixa, sentada em uma cadeira de encosto.
Parecia triste.
A cada passo dado adentro da casa Mark ficava mais e mais assustado. O piso de madeira rangia quando ele colocava os pés sobre... lentamente ele ia se aproximando da menina. O cheiro da casa era uma mistura de poeira intensa com madeira estragada, realmente era desagradável.
Quando Mark finalmente chegou o mais perto possível da menina, ele ficou a observando que ainda estava cabisbaixa. A garota vestia um robe preto que parecia estar muito sujo; seu cabelo estava bagunçado e parecia não respirar. Era muito assustador. Ele estava ofegante, porém gostava daquele clima todo.
Esperando alguns minutos e a garota parecia não perceber a presença do garoto ali. Até que Mark tomou a liberdade e levantou a cabeça dela: Estava repleta de sangue e cicatrizes muito profundas; Os olhos estavam roxos e a face estava cercada de hematomas, assim como pescoço e busto. Mexendo nela, ele acabou fazendo o robe se abrir: O corpo parecia ter sido espancado e esfaqueado lenta e dolorosamente. Aquilo doeu no coração de Mark, ele estava em choque;
Afinal, ele só tinha 15 anos! nunca tinha visto nada parecido!
Mark se sentiu fraco e se apoiou no chão. Seus olhos estavam arregalados e sua boca, aberta. Ele ofegava lentamente e não acreditava no que tinha visto. De repente, lágrimas de sangue derramaram-se no chão e sentiu uma presença sobrenatural logo atrás dele. Levantou-se rapidamente, deu meia volta e viu o que mais temia: o espírito da garota!
A reação imediata que Mark pôde ter foi gritar muito, muito alto. Não acreditava no que estava vendo: o espirito flutuava , tinha os cabelos pra cima e tinha a aparencia exata do corpo da menina morta... inclusive os ferimentos e hematomas. Era extremamente assustador, ele estava em choque. Mark andava pra trás lentamente, passo por passo...
O espírito olhou com cara de raiva pra ele e se aproximava rapidamente. Ele corria pelo saguão principal da imensa casa, tentando fugir da ameaça assustadora; entrou na cozinha e, mesmo sem esperanças que aquilo funcionasse, trancou a porta de todas as formas possíveis, até colocando uma cadeira na maçaneta, que não aguentaria muito também.
Ele jogou a mochila que estava carregando com o material escolar no chão, ajoelhou-se e começou a vomitar sangue, muito sangue. Sua pele estava pálida e as veias começavam a ficar visíveis pelo seu corpo todo. Estava cada vez mais fraco, aquele espirito o fazia estar fraco... desde o primeiro encontro ele percebeu isso.
Mark se arrependeu profundamente de tentar se aproximar mais e mais dessa maldita casa, apenas por uma oportunidade de achar uma garota... essa era a maldita futilidade em que ele se baseava pra entrar nisso tudo...
Abriu a mochila, pegou uma folha de caderno e um lápis e começou a escrever rapidamente
algumas palavras distintas nessa folha. Mark ouviu o grito do espírito quando percebeu que ele estava na cozinha, tentando se esconder dela, e começou a escrever mais rapido ainda. É, ele sabia que o fim estava próximo, o fim daquele ciclo vicioso que todos chamavam de vida.
O espírito entrou na cozinha, atravessando a porta e observando o lugar tentando localizar Mark, que já estava escondido dentro de um armário qualquer continuando à escrever. Ele já estava ficando suado e chorando baixinho, pois já sabia que morreria naquela dia e naquela hora. E enfim o espírito pressentiu a presença de Mark no devido armário, e abriu lentamente.
Mark se apavorou e soltou o lápis e a folha. O espírito o puxou pra fora do armário com força, fazendo o bater na parede e descer deslizando. Se aproximou de Mark, que mesmo quase sem fôlego pra mais nada, falou o seguinte:
- Qu-... o que é você?
E então a menina sorriu de modo bizarro e disse:
- Haha... ANA HELENA!
Nesse momento, ela apertou o pescoço dele com tamanha força que o incapacibilitava de respirar
adequadamente. Nesse momento, Mark permanecia de olhos arregalados, olhando pra aquela criatura assustadora que o matava lentamente, alimentando o desejo homicida não era satisfeito há muito tempo... aquela pobre alma dependia disso...
Mark olhou pra esquerda, olhou pra direita e teve uma idéia: com seu último suspiro, alcançou uma grande faca que tinha caido no chão e, com o todo o arrependimento e rancor possíveis, se empalou no peito. Era o fim do garoto Mark.
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